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quinta-feira, 2 de abril de 2020

BELO É O POUCO DO TEU CORPO


BELO É O POUCO DO TEU CORPO




Belo
é o pouco do teu corpo
onde aberta,
pouso a palma da minha mão

Mais belo
é o lugar ao lado
onde ela,
vadia insatisfeita,
se aconchega.

Numa viagem exploratória
todos as estações
parecem mais cálidas
e acolhedoras
que as anteriores.

Completo o ciclo
no périplo do amor;
e no lugar de início,
descubro enfim,
que dos outros
onde pousou
sendo-o,
nenhum foi mais belo
que o primeiro.

No todo está a Beleza.


BELA É A GOTA DE ORVALHO



BELA É A GOTA DE ORVALHO

Foi-se o sol
para lá do azinhal.
Tons de morango em suave azul
e fímbrias de oiro e púrpura
brindam com trombetas
nesta alegoria
ao limiar entre o astro e o desejo.

Quando a planície adormecer;
quando a suave amante desdobrar seu véu
e os noitibós pousarem nos caminhos;
quando as estrelas
quais sonhos,
escorrerem da imensa cornucópia,
vou sentir o mistério
da sua envolvência
maior,
muito maior
que a existência,
e extasiar os sentidos
sentindo-me prenhe
de pensamentos belos.

Depois…
quero vê-los pousar
como gotas de orvalho
nas copas do montado,
para que o sol
ao levantar
possa vê-los,
beijá-los,
e neles se mirar.



ERA UMA VEZ UM MÁGICO





ERA UMA VEZ UM MÁGICO


Havia um mundo
e nesse mundo havia um mágico.

Um mágico que fazia
com o pensamento
tudo o que queria.

Mas o trágico da questão,
é que o mágico ansiava ter
o Universo na palma da sua mão

E vaidoso como era,
quis fazer de todo o ano
eterna Primavera.

E tanto magicou
tanto explorou
e sugou,
que o mundo em crise
depressa se esgotou.

E o mágico acabou.

                                                                                                                                                Fernando Fonseca
In “Terra Mágica nº 1”
Maio de 1984



À ESQUINA DO MUNDO


A ESQUINA DO MUNDO


Atrás da esquina espreita o papão,
brinca  o menino,
se esconde o ladrão.

À esquina do tempo
se encontra o passado,
se vive a cidade,
se descobre o futuro.

Ai de quem não vai à esquina do mundo;
não vê,
não cresce
nem floresce.
A cada flor corresponde um fruto.

Ai de quem não vai a esquina da alma;
não se descobre
não se conhece.

Ai de quem não vai a esquina do pensamento;
não se entende
nem compreende
a cidade.
Não floresce,
muito menos frutece.
Só,
permanece.

A semente não brota.
A árvore não cresce.
A floresta envelhece,
Tudo fenece
do lado de cá da esquina do mundo



Alto das taliscs
05abr2014-04h45